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Nova geração da vela brasileira escalada para Mundial de Snipe Feminino

Jovens velejadoras de 13 a 21 anos disputarão as regatas da categoria durante o Mundial de Snipe que acontece na Represa de Guarapiranga, em São Paulo (SP)

28.09.2021  |  1.812 visualizações

Já começou a contagem regressiva para o Mundial Feminino de Snipe 2021, que ocorre entre os dias 5 e 9 de outubro, no Yacht Club Paulista (YCP), em São Paulo (SP). Além da presença de velejadoras experientes e internacionais, a principal competição da classe também marca o primeiro grande desafio da carreira de muitas jovens atletas.  A oportunidade à nova geração acontece na disputa da categoria júnior dentro da principal competição da classe Snipe, o que abre portas e proporciona mais experiência às atletas participantes.

Estão confirmadas na competição cinco tripulações 100% júnior, todas do Brasil e formadas exclusivamente por meninas de 13 a 21 anos. Para disputar a categoria, toda a tripulação do barco deve estar dentro da faixa etária.

O percurso é tradicionalmente o barla-sota e a categoria júnior compete nas mesmas regatas que a geral, mas com premiação separada. Estão programadas oito provas, duas por dia a partir de 6 de outubro.

Além das duplas da categoria júnior, muitas jovens velejadoras vão se juntar a outras mais experientes na disputa geral do Mundial de Snipe. No total, sete timoneiras e 11 proeiras júnior disputarão as regatas nas águas da Represa de Guarapiranga.

''Essas jovens terão uma experiência transformadora! O clima maravilhoso de sororidade que é dosada na medida certa com a competitividade e a qualidade na vela serão inesquecíveis na vida delas'', comentou Paola Prada, experiente velejadora confirmada na competição e uma das organizadoras do Mundial.

A atleta e organizadora explica ainda que a classe Snipe é uma boa porta de entrada da vela para as velejadoras mais novas.

''A beleza da classe Snipe é que é uma categoria em que ao acertar a regulagem do barco pessoas de qualquer idade e peso podem velejar. As meninas novas são muito leves e a classe permite que elas adaptem a regulagem para o peso delas, possibilitando uma velejada agradável, sem ter que fazer força excessiva e ultrapassar os limites'', explicou Paola Prada.

Escoteiras do Mar entram na disputa em busca de crescimento e visibilidade na vela

A dupla formada por Vitoria Pugsley, de 19 anos, e Lais Farias, de 15, será uma das representantes da nova geração da vela feminina no Mundial. As duas fazem parte da equipe Escoteiros do Mar, projeto que tem atuação em várias cidades do país.

Vitoria, por exemplo, é da cidade de Antonina, do Paraná. Ela conta que o Mundial de Snipe será a maior competição que já disputou e não esconde a empolgação para o evento.

''A maior meta que eu tenho é mostrar o que eu sou, escoteira, dando o meu melhor em meio a pessoas que velejam super bem. Espero também poder crescer, velejando, fazendo o que eu amo e saber que a cada dia eu estou melhorando e evoluindo, para chegar em níveis olímpicos, em níveis que vou olhar para trás e perceber que valeu a pena agarrar essa oportunidade'', contou a jovem atleta.

A dupla está sendo preparada para o Mundial pelo técnico Luis Sanches, também do projeto Escoteiros do Mar de Antonina (PR). Ele prevê boas regatas na Represa de Guarapiranga e avalia positivamente a participação das jovens velejadoras em uma competição de grande porte como o Mundial.

''Elas estão chegando com foco e muita garra, isso me impressiona e alimenta. No trabalho de base temos que focar em manter o ambiente náutico isolado do resto para formar a compreensão do nosso meio. Quando essa compreensão vai evoluindo, as técnicas acompanham. O lindo de tudo é uma evolução significativa do ser humano'', analisou o técnico Luis Sanches.

Paola Prada vê essa adesão de jovens mulheres à modalidade como fruto do apoio cada vez maior à vela feminina na CBVela. A Confederação tem proporcionado a cada dia mais espaço para as mulheres na modalidade, dando voz e espaço para a atuação feminina em diferentes espaços dentro do esporte. 

A organizadora comemora ainda a presença no Mundial de meninas de quase todas as idades, principalmente de um grupo grande entre os 14 e 16 anos.

''Isso é muito bacana porque está trazendo sangue novo para a classe. Uma mulher que vai para o Mundial Feminino, depois que ela abre a mente em um campeonato desses, nunca mais volta atrás. Essas meninas vão ser velejadoras de snipe para sempre!'', finalizou.

Uma oportunidade de crescimento e desenvolvimento como atleta

Competidora júnior no Mundial de Snipe de 2006, no Uruguai, aos 18 anos, a velejadora Renata Bellotti, atualmente com 34, está confirmada na disputa geral de 2021 pela equipe Fox Sailing Team. 

Apesar de não existir uma premiação exclusiva para a categoria júnior na época, a atleta conta que participar da competição ainda jovem, ao lado da parceira Adriana Overgoor, a Dida, com 19 anos, possibilitou aprendizados que permitiram a elas que se firmassem na modalidade. 

"O pré-campeonato nos deu uma lição muito grande. Aprendemos como ir atrás de patrocinadores, de um treinador e de um barco para disputar o Mundial", conta. "Tudo isso nos proporcionou um crescimento pessoal muito grande, corremos atrás de tudo sozinhas. A gente foi para a competição na cara e na coragem, foi nossa chance de se jogar e conhecer o mundo", completou Renata Bellotti. 

Brasil tem tradição no Snipe

O País sediou outras quatro vezes o Mundial de Snipe. A primeira vez foi em 1959, em Porto Alegre (RS), com o título ficando para o dinamarquês Paul Elvstrøma, lenda da vela internacional com quatro ouros olímpicos.

Em 1971, no Rio de Janeiro (RJ), o primeiro lugar ficou com os norte-americanos Earl Elms e Craig Martin. Em 1993, a capital gaúcha Porto Alegre sediou novamente o Mundial de Snipe e o ouro ficou para os argentinos Santiago Lange (campeão olímpico na Rio 2016) e Mariano Parada.

Em 2013, os brasileiros Bruno Bethlem e Dante Bianchi ficaram com o título na edição do Rio de Janeiro (RJ). foi a única vez que uma dupla nacional ganhou a competição em casa. No entanto, o Brasil tem ao todo 13 duplas campeãs mundiais de Snipe. A última conquista foi em 2015, na edição de Talamone, na Itália. A dupla Mateus Tavares e Gustavo Carvalho subiu no lugar mais alto do pódio.

Em 2019, em Ilhabela (SP), os brasileiros Henrique Haddad e Gustavo Nascimento foram campeões com apenas um ponto de vantagem para os compatriotas Alexandre Paradeda e Gabriel Kieling.

O Brasil tem uma dupla campeã na história do Snipe Feminino. As baianas Juliana Duque e Amanda Sento Sè venceram a edição de 2016 em Bracciano, na Itália. Nesta edição, a baiana Juliana Duque se juntará à Mila Beckerath.

Vale destacar que o primeiro título mundial da vela nacional foi na Snipe. Em 1961, em Rye, nos Estados Unidos, os irmãos Axel e Eric Schmidt foram campeões.

A primeira edição do Mundial de Snipe Feminino foi realizada em 1994, em Yokohama, no Japão, com vitória de Pauline Book e Carine Juliussen (Noruega). A edição mais recente foi realizada em Newport, nos Estados Unidos, com 32 equipes representando 10 países. As vencedora foram Carol Cronin e Kim Couranz (EUA).

O Mundial de Snipe Feminino tem realização do Yacht Club Paulista e Associação Brasileira da Classe Snipe, com apoio da SCIRA – Snipe Class International Racing Association.

Mais informações com a equipe On Board Sports

Site oficial — https://2021womens.snipeworlds.org

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